O que fazer quando o pai não paga pensão

Se você chegou até aqui, provavelmente está exausta emocionalmente, financeiramente, e sem saber por onde começar. Receber a mensagem de que o pagamento não caiu, mais uma vez, é uma das situações mais angustiantes para qualquer mãe ou responsável que depende da pensão alimentícia para garantir o sustento dos filhos.

Você não está sozinha. E, mais importante: a lei está ao seu lado.

Este artigo foi escrito para esclarecer seus direitos, mostrar os caminhos que existem e ajudar você a entender quando é hora de agir com o suporte de um advogado especializado.

Uma situação que muitas mães conhecem bem

Ana tem dois filhos de 8 e 12 anos. Após a separação, a pensão foi fixada em juízo. Durante seis meses, o pagamento chegou com atraso e nos últimos dois meses, simplesmente não veio. O ex-marido alega que está desempregado, mas ela vê nas redes sociais que ele está viajando e adquirindo bens.

Situações como a de Ana são mais comuns do que parecem e têm solução jurídica. Veja o que a lei prevê.

O que diz a lei brasileira

A obrigação de pagar é absoluta

O Código Civil Brasileiro estabelece que ambos os pais têm obrigação de sustentar os filhos, independentemente da situação financeira momentânea. Isso significa que alegar desemprego, por exemplo, não isenta o devedor do pagamento pode resultar em revisão do valor, mas não em extinção da dívida.

Até quando a pensão é devida?

A pensão alimentícia é devida:

  • Até os 18 anos de forma presumida;
  • Após os 18 anos, se o filho estiver cursando ensino superior ou técnico (conforme entendimento majoritário do STJ);
  • Além disso, em casos onde o filho maior de 18 anos comprove necessidade e incapacidade de se sustentar.

O que está incluído na pensão?

A pensão não se limita a um valor em dinheiro. Ela deve cobrir alimentação, educação, saúde, lazer e vestuário e pode ser paga em espécie ou mediante o pagamento direto de despesas (como mensalidade escolar ou plano de saúde).

O que acontece com quem não paga?

A legislação brasileira é uma das mais rigorosas do mundo no que diz respeito ao inadimplemento de alimentos. Quem não paga pensão está sujeito a:

  1. Prisão civil de 1 a 3 meses aplicável ao débito das 3 últimas parcelas vencidas (dívida recente). É uma medida poderosa e eficaz;
  2. Protesto do nome o devedor pode ter o CPF protestado em cartório, prejudicando seu crédito;
  3. Bloqueio judicial de contas bancárias o juiz pode determinar o bloqueio online de valores nas contas do devedor;
  4. Desconto direto em folha de pagamento quando o devedor é empregado com carteira assinada, é possível solicitar o desconto automático diretamente no salário;
  5. Penhora de bens veículos, imóveis e outros bens podem ser penhorados para quitar a dívida acumulada.

O que fazer na prática: passo a passo

1. Documente tudo imediatamente

Guarde comprovantes de todos os pagamentos recebidos e dos não recebidos. Mantenha registros das despesas mensais com os filhos: escola, plano de saúde, alimentação, lazer. Essa documentação é decisiva em juízo e pode influenciar diretamente o valor da pensão em eventual revisão.

2. Tente o diálogo mas com cautela

Em alguns casos, uma conversa direta resolve. Mas se houver acordo verbal sobre parcelamento ou adiamento, exija que seja formalizado por escrito. Acordos verbais não têm validade jurídica e podem prejudicar sua posição futura.

3. Procure um advogado especializado

Se os pagamentos estão em atraso, se houve recusa em pagar ou se o devedor está alegando mudança de situação financeira para tentar reduzir o valor, é hora de agir juridicamente. Um advogado especializado em direito de família irá avaliar seu caso, orientar sobre a melhor estratégia e representar seus interesses com eficiência.

Sinais de que você precisa de um advogado agora

Procure orientação jurídica se:

  • A pensão está em atraso há mais de um mês;
  • O devedor pediu revisão para reduzir o valor pago;
  • Você suspeita que o devedor está omitindo renda ou patrimônio;
  • A situação financeira mudou e a pensão atual não cobre mais as necessidades dos filhos;
  • O devedor propôs um acordo e você não sabe se deve aceitar.

Perguntas frequentes

O devedor pode ser preso mesmo com a dívida antiga?

A prisão civil se aplica ao débito das últimas 3 parcelas (dívida recente). As parcelas anteriores formam a dívida antiga, que pode ser cobrada por outras vias bloqueio de contas, penhora, protesto mas não autorizam prisão. Por isso, é fundamental agir rapidamente.

E se o devedor for autônomo ou informal?

A informalidade não protege o devedor. É possível rastrear bens, veículos e imóveis registrados em seu nome, além de movimentações bancárias. O advogado dispõe de ferramentas jurídicas para investigar o patrimônio real do devedor.

Posso pedir aumento da pensão?

Sim. Se as necessidades dos filhos aumentaram ou se a renda do devedor cresceu desde o último acordo, é possível pedir a revisão judicial do valor. A ação de revisão de alimentos é um direito do beneficiário e pode ser ajuizada a qualquer momento.

A pensão para filho maior de 18 anos cessa automaticamente?

Não. A maioridade não extingue a pensão automaticamente. O devedor precisa ingressar com ação de exoneração de alimentos. Enquanto não houver decisão judicial ou acordo homologado, a obrigação continua e o devedor que parar de pagar responde por inadimplemento.

Você não precisa enfrentar isso sozinha.

Cada dia de pensão não paga é um direito dos seus filhos sendo violado. Quanto mais cedo você tomar uma atitude, mais rápido a situação pode ser resolvida e com mais ferramentas você terá à disposição.

Entre em contato agora para uma consulta inicial. Avaliamos o seu caso, explicamos suas opções e traçamos a melhor estratégia para garantir o que é de direito dos seus filhos.

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